segunda-feira, 21 de junho de 2010

Momento da Poesia...


Feliz do homem...

Feliz do homem que sem cerimônia
e com audácia, faz de vitórias couraça
para nos caminhos da vida não derrancar
sua pele nos espinhos e agonizar

Feliz do homem que enfrenta as tristezas
e não pra debaixo da mesa
vai refugio encontrar
e sim sobre alto palanque
grita... "sigo avante" rumo a vitória, deixa levar

Feliz do homem que acaricia a mulher
com suas mãos deixa-lhe ver que és
e entorpece com gestos e poses
enche-a de gozo e amores

Feliz do homem que com paciência
vê o injusto escarnio alheio,
contra si e sem rodeio
sofre mas espera fiel
até que seja honrado, é o céu

Feliz daquele que simplesmente vive
sofre, geme, ai que triste
mas que goza, sente, sorri
e a vida vai vivendo, aí de mim.

Eduardo Ferreira Dias de Souza

Momento da Música...



Voa, liberdade
Jessé
Composição: Mário Maranhão - Eunice Barbosa - Mário Marcos

Voa, voa minha liberdade
Entra se eu servir como morada
Deixa eu voar na sua altura
Agarrado na cintura
Da eterna namorada

Voa feito um sonho desvairado
Desses que a gente sonha acordado
Voa, coração esvoaçante
Feito um pássaro gigante
Contra os ventos do pecado

Voa nas manhãs ensolaradas
Entra, faz verdade esta ilusão

Voa no estalo do meu grito
Quero ser teu infinito
Neste azul sem dimensão
Voa...

Frase do Dia


"Oh! Bendito o que semeia
Livros ... livros à mão cheia ...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n'alma
É germe – que faz a palma,
É chuva – que faz o mar."

Castro Alves


A mãe do cativo

Ó mãe do cativo! que alegre balanças
A rede que ataste nos galhos da selva!
Melhor tu farias se à pobre criança
Cavasses a cova por baixo da relva.

Ó mãe do cativo! que fias à noite
As roupas do filho na choça da palha!
Melhor tu farias se ao pobre pequeno
Tecesses o pano da branca mortalha.

Misérrima! E ensinas ao triste menino
Que existem virtudes e crimes no mundo
E ensinas ao filho que seja brioso,
Que evite dos vícios o abismo profundo ...

E louca, sacodes nesta alma, inda em trevas,
O raio da espr'ança... Cruel ironia!
E ao pássaro mandas voar no infinito,
Enquanto que o prende cadeia sombria! ...

II

Ó Mãe! não despertes est'alma que dorme,
Com o verbo sublime do Mártir da Cruz!
O pobre que rola no abismo sem termo
Pra qu'há de sondá-lo... Que morra sem luz.

Não vês no futuro seu negro fadário,
Ó cega divina que cegas de amor?!
Ensina a teu filho - desonra, misérias,
A vida nos crimes - a morte na dor.

Que seja covarde... que marche encurvado...
Que de homem se torne sombrio reptíl.
Nem core de pejo, nem trema de raiva
Se a face lhe cortam com o látego vil.

Arranca-o do leito... seu corpo habitue-se
Ao frio das noites, aos raios do sol.
Na vida - só cabe-lhe a tanga rasgada!
Na morte - só cabe-lhe o roto lençol.

Ensina-o que morda... mas pérfido oculte-se
Bem como a serpente por baixo da chã
Que impávido veja seus pais desonrados,
Que veja sorrindo mancharem-lhe a irmã.

Ensina-lhe as dores de um fero trabalho...
Trabalho que pagam com pútrido pão.
Depois que os amigos açoite no tronco...
Depois que adormeça co'o sono de um cão.

Criança - não trema dos transes de um mártir!
Mancebo - não sonhe delírios de amor!
Marido - que a esposa conduza sorrindo
Ao leito devasso do próprio senhor! ...

São estes os cantos que deves na terra
Ao mísero escravo somente ensinar.
Ó Mãe que balanças a rede selvagem
Que ataste nos troncos do vasto palmar.

III

Ó Mãe do cativo, que fias à noite
À luz da candeia na choça de palha!
Embala teu filho com essas cantigas...
Ou tece-lhe o pano da branca mortalha.

Castro Alves


Porto Solidão

Jessé
Composição: Zeca Bahia e Gincko

Se um veleiro
Repousasse
Na palma da minha mão
Sopraria com sentimento
E deixaria seguir sempre
Rumo ao meu coração...

Meu coração
A calma de um mar
Que guarda tamanhos segredos
Diversos naufragados
E sem tempo...

Rimas, de ventos e velas
Vida que vem e que vai
A solidão que fica e entra
Me arremessando
Contra o cais...(2x)

Se um veleiro
Repousasse
Na palma da minha mão
Sopraria com sentimento
E deixaria seguir sempre
Rumo ao meu coração...

Meu coração
A calma de um mar
Que guarda tamanhos segredos
Diversos naufragados
E sem tempo...

Rimas, de ventos e velas
Vida que vem e que vai
A solidão que fica e entra
Me arremessando
Contra o cais...(4x)

Rimaaaaaas!
A solidão que fica e entra
Me arremessando
Contra o cais...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Momento da Poesia...


Tragédia no lar

Na Senzala, úmida, estreita,
Brilha a chama da candeia,
No sapé se esgueira o vento.
E a luz da fogueira ateia.

Junto ao fogo, uma africana,
Sentada, o filho embalando,
Vai lentamente cantando
Uma tirana indolente,
Repassada de aflição.
E o menino ri contente...
Mas treme e grita gelado,
Se nas palhas do telhado
Ruge o vento do sertão.

Se o canto pára um momento,
Chora a criança imprudente ...
Mas continua a cantiga ...
E ri sem ver o tormento
Daquele amargo cantar.
Ai! triste, que enxugas rindo
Os prantos que vão caindo
Do fundo, materno olhar,
E nas mãozinhas brilhantes
Agitas como diamantes
Os prantos do seu pensar ...

E voz como um soluço lacerante
Continua a cantar:

"Eu sou como a garça triste
"Que mora à beira do rio,
"As orvalhadas da noite
"Me fazem tremer de frio.

"Me fazem tremer de frio
"Como os juncos da lagoa;
"Feliz da araponga errante
"Que é livre, que livre voa.

"Que é livre, que livre voa
"Para as bandas do seu ninho,
"E nas braúnas à tarde
"Canta longe do caminho.

"Canta longe do caminho.
"Por onde o vaqueiro trilha,
"Se quer descansar as asas
"Tem a palmeira, a baunilha.

"Tem a palmeira, a baunilha,
"Tem o brejo, a lavadeira,
"Tem as campinas, as flores,
"Tem a relva, a trepadeira,

"Tem a relva, a trepadeira,
"Todas têm os seus amores,
"Eu não tenho mãe nem filhos,
"Nem irmão, nem lar, nem flores".

A cantiga cessou. . . Vinha da estrada
A trote largo, linda cavalhada
De estranho viajor,
Na porta da fazenda eles paravam,
Das mulas boleadas apeavam
E batiam na porta do senhor.

Figuras pelo sol tisnadas, lúbricas,
Sorrisos sensuais, sinistro olhar,
Os bigodes retorcidos,
O cigarro a fumegar,
O rebenque prateado
Do pulso dependurado,
Largas chilenas luzidas,
Que vão tinindo no chão,
E as garruchas embebidas
No bordado cinturão.

A porta da fazenda foi aberta;
Entraram no salão.

Por que tremes mulher? A noite é calma,
Um bulício remoto agita a palma
Do vasto coqueiral.
Tem pérolas o rio, a noite lumes,
A mata sombras, o sertão perfumes,
Murmúrio o bananal.

Por que tremes, mulher? Que estranho crime,
Que remorso cruel assim te oprime
E te curva a cerviz?
O que nas dobras do vestido ocultas?
É um roubo talvez que aí sepultas?
É seu filho ... Infeliz! ...

Ser mãe é um crime, ter um filho - roubo!
Amá-lo uma loucura! Alma de lodo,
Para ti - não há luz.
Tens a noite no corpo, a noite na alma,
Pedra que a humanidade pisa calma,
— Cristo que verga à cruz!

Na hipérbole do ousado cataclisma
Um dia Deus morreu... fuzila um prisma
Do Calvário ao Tabor!
Viu-se então de Palmira os pétreos ossos,
De Babel o cadáver de destroços
Mais lívidos de horror.

Era o relampejar da liberdade
Nas nuvens do chorar da humanidade,
Ou sarça do Sinai,
— Relâmpagos que ferem de desmaios...
Revoluções, vós deles sois os raios,
Escravos, esperai! ...

..................................................................

Leitor, se não tens desprezo
De vir descer às senzalas,
Trocar tapetes e salas
Por um alcouce cruel,
Que o teu vestido bordado
Vem comigo, mas ... cuidado ...
Não fique no chão manchado,
No chão do imundo bordel.

Não venhas tu que achas triste
Às vezes a própria festa.
Tu, grande, que nunca ouviste
Senão gemidos da orquestra
Por que despertar tu'alma,
Em sedas adormecida,
Esta excrescência da vida
Que ocultas com tanto esmero?
E o coração - tredo lodo,
Fezes d'ânfora doirada
Negra serpe, que enraivada,
Morde a cauda, morde o dorso
E sangra às vezes piedade,
E sangra às vezes remorso?...

Não venham esses que negam
A esmola ao leproso, ao pobre.
A luva branca do nobre
Oh! senhores, não mancheis...
Os pés lá pisam em lama,
Porém as frontes são puras
Mas vós nas faces impuras
Tendes lodo, e pus nos pés.

Porém vós, que no lixo do oceano
A pérola de luz ides buscar,
Mergulhadores deste pego insano
Da sociedade, deste tredo mar.
Vinde ver como rasgam-se as entranhas
De uma raça de novos Prometeus,
Ai! vamos ver guilhotinadas almas
Da senzala nos vivos mausoléus.

— Escrava, dá-me teu filho!
Senhores, ide-lo ver:
É forte, de uma raça bem provada,
Havemos tudo fazer.

Assim dizia o fazendeiro, rindo,
E agitava o chicote...
A mãe que ouvia
Imóvel, pasma, doida, sem razão!
À Virgem Santa pedia
Com prantos por oração;
E os olhos no ar erguia
Que a voz não podia, não.

— Dá-me teu filho! repetiu fremente
o senhor, de sobr'olho carregado.
— Impossível!...
— Que dizes, miserável?!
— Perdão, senhor! perdão! meu filho dorme...
Inda há pouco o embalei, pobre inocente,
Que nem sequer pressente
Que ides...
— Sim, que o vou vender!
— Vender?!. . . Vender meu filho?!

Senhor, por piedade, não
Vós sois bom antes do peito
Me arranqueis o coração!
Por piedade, matai-me! Oh! É impossível
Que me roubem da vida o único bem!
Apenas sabe rir é tão pequeno!
Inda não sabe me chamar? Também
Senhor, vós tendes filhos... quem não tem?

Se alguém quisesse os vender
Havíeis muito chorar
Havíeis muito gemer,
Diríeis a rir — Perdão?!
Deixai meu filho... arrancai-me
Antes a alma e o coração!

— Cala-te miserável! Meus senhores,
O escravo podeis ver ...

E a mãe em pranto aos pés dos mercadores
Atirou-se a gemer.
— Senhores! basta a desgraça
De não ter pátria nem lar, -
De ter honra e ser vendida
De ter alma e nunca amar!

Deixai à noite que chora
Que espere ao menos a aurora,
Ao ramo seco uma flor;
Deixai o pássaro ao ninho,
Deixai à mãe o filhinho,
Deixai à desgraça o amor.

Meu filho é-me a sombra amiga
Neste deserto cruel!...
Flor de inocência e candura.
Favo de amor e de mel!

Seu riso é minha alvorada,
Sua lágrima doirada
Minha estrela, minha luz!
É da vida o único brilho
Meu filho! é mais... é meu filho
Deixai-mo em nome da Cruz!...

Porém nada comove homens de pedra,
Sepulcros onde é morto o coração.
A criança do berço ei-los arrancam
Que os bracinhos estende e chora em vão!

Mudou-se a cena. Já vistes
Bramir na mata o jaguar,
E no furor desmedido
Saltar, raivando atrevido.
O ramo, o tronco estalar,
Morder os cães que o morderam...
De vítima feita algoz,
Em sangue e horror envolvido
Terrível, bravo, feroz?

Assim a escrava da criança ao grito
Destemida saltou,
E a turba dos senhores aterrada
Ante ela recuou.

— Nem mais um passo, cobardes!
Nem mais um passo! ladrões!
Se os outros roubam as bolsas,
Vós roubais os corações! ...

Entram três negros possantes,
Brilham punhais traiçoeiros...
Rolam por terra os primeiros
Da morte nas contorções.

Um momento depois a cavalgada
Levava a trote largo pela estrada
A criança a chorar.
Na fazenda o azorrague então se ouvia
E aos golpes - uma doida respondia
Com frio gargalhar! ...

Castro Alves

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Frase do dia...

Não quero passar minha vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar. Tenho que evoluir, melhorar...

Eduardo Ferreira Dias de Souza

quinta-feira, 27 de maio de 2010

terça-feira, 11 de maio de 2010

Momento da Poesia...



FORMATURA

Era uma vez
jovens amigos
na luta perdida.

Era uma vez
primícias de vida,
arrojo e perigo.

Era uma vez
passeatas na rua,
estilhaços de vidro.

Era uma vez
tiros faiscando,
vagalumes na noite.

(Foi tão rápido,
dos sonhos grandiosos
ao pesadelo escondido!)

Diego
Hombre de España,
existencialista e
meia-armador.
Bisou o pai,
lutou uma guerra.

Eremias
Era mau aluno,
treinava judô.
Sorriso moleque,
morreu em pedaços,
35 balaços.

Edmauro
Sonhava o amor,
matraqueava demais.
Tanta inocência
levou aos porões,
acabou no exílio.

Gerson
Nem no inferno
perdeu a coragem.
Nem na trégua
repensou a viagem.
Seu olhar brilhava.

Teresa
Só ela sabia
se era por Gerson
ou pela causa.
Companheira igual
nunca vi.

Mané
Cantava sua fé,
imitava Vandré.
Quando o épico
resultou trágico,
se desencontrou.

Gilson
O que fazia
um bancário
na revolução?
Terno e gravata,
pólvora e graxa.

* * *

Hoje ninguém lembra
destes e tantos mais –
assassinados uns,
amargurados outros.
Era uma vez meus amigos,
era uma vez 68.

Celso Lungaretti

Momento da Música...

Ouça

Ouça, vá viver
Sua vida com outro bem
Hoje eu já cansei
De pra você não ser ninguém

O passado não foi o bastante
Pra lhe convencer
Que o futuro seria bem grande
Só eu e você

Quando a lembrança
Com você for morar
E bem baixinho
De saudade você chorar

Vai lembrar que um dia existiu
Um alguém que só carinho pediu
E você fez questão de não dar
Fez questão de negar

Quando a lembrança
Com você for morar
E bem baixinho
De saudade você chorar

Vai lembrar que um dia existiu
Um alguém que só carinho pediu
E você fez questão de não dar
Fez questão de negar

Maysa

Campanha pela Memória e pela Verdade...


http://www.oab-rj.org.br/forms/abaixoassinado.jsp











Vamos participar... Isso nada mais é que um gesto concreto de cidadania.

Frase do Dia...


Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem.
Mario Quintana

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Lealdade, uma tarefa difícil...


Lealdade, segundo o dicionário, lealdade é “a qualidade ou carácter de leal, sinceridade; dedicação”. Ou ainda “Franqueza; sinceridade. / Retidão; probidade.”. Concordo com todas elas, mas infelizmente hoje, vemos que o ato de ser leal a outrem é algo difícil de se encontrar.
Tomemos como base o cenário político nacional, a começar pelo eleitor, que troca seu voto por dinheiro, favores, ou pequenos mimos, sendo desleal com sua comunidade, desde a família, passando pela comunidade local (cidade) e indo até o todo (país). Mas o pior, é que o eleitor ao fazer isso é desleal consigo mesmo. Passemos aos eleitos, que para se elegerem prometem mundos e fundos ao eleitor, compram votos, como já dito, com dinheiro, mimos e promessas e favores, são desleais conosco, eleitores e desleais com a função que vão exercer, assim, vemos que verdadeiramente a lealdade encontra-se em desuso, é démodé. Vejamos outros casos, como por exemplo, o caso do comércio, onde as vezes vemos comerciantes vendendo produtos falsos, enganando aquela pessoa que, de boa fé, compra seu produto, e, de certa forma, possibilita-o o sustento. Por fim vemos o caso do casal, seja namorado, noivo, casado, convivente em união estável e etc., onde se prega a fidelidade acima de qualquer coisa, mas, muitas das vezes vemos um casal fiel, mas que o homem espanca, rouba ou se aproveita da mulher, ou vice e versa. A pessoa pode até, afetivamente, não trair a outra, mas comete outros atos sórdidos, faltando assim com a lealdade. O ato de ser legal, de se “jogar limpo”, muitas das vezes, pode ser, como a confissão em um processo criminal, deslizes podem acontecer, mas se a parte for leal o suficiente para assumi-los, a “pena” com certeza poderá ser mais branda. Uma pessoa uma vez me contou de um fato ocorrido em uma novela, onde a mulher, com uma certa deficiência, casada, é indagada por uma amiga, após a morte do marido, quando ao fato de todos os envolvimentos dele com outra mulheres e ela responde dizendo que apesar disso, ele era leal a ela. Ele era quem a ouvia nos momentos de tristeza, quem a socorria com os problemas de sua vida, sempre estava ao seu lado seja qual fosse o infortúnio que se fazia presente. Ele era um companheiro e sim, leal a ela.
Assim, acredito copiosamente, que falta lealdade em nossas vidas, e que com certeza se houvesse um pouco mais desse ato nobre, a vida com certeza seria mais fácil de ser vivida.

Frase do Dia...


Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.
Clarice Lispector

A vingança nunca é plena...


Há alguns dias ouvi a seguinte frase de um amigo que não via fazia muito tempo que consistia no seguinte: "É, o mundo realmente dá muitas voltas, que pequeno que ele é". Sabe, à época entendi a frase dita no sentido: "Olha, como esse mundo é pequeno e como agente faz algo errado contra alguém e no futuro acabamos por precisar desse alguém". Pois é, ele me disse isso pois naquele momento necessitava de uma gentileza e ao bater a porta quem a abriu fui eu, momento em que ele fez a bela exclamação, que, diga-se de passagem, ficou em minha mente por dias. Claro a gentileza foi prontamente atendida, visto que se tratava de uma obrigação do trabalho, mas me coloquei a pesar se no caso de a gentileza solicitada não ser minha obrigação, eu a atenderia? Pelo menos não prontamente como o foi, mas o importante aqui não é o fato de ter atendido ou não, mas sim o fato de ter pensado em não atender por causa da sacanagem outrora cometida. Tentei não pensar no assunto de forma destrutiva, especialmente porque acredito que isso faça parte do ser humano, isso porque ninguém é perfeito e muito menos o mundo está cheio de "Zé bonzinho" (aqueles que sempre são bonzinhos demais), sobretudo esse que vos escreve.Mas ainda assim, fiquei pensando e uma miscelânea de pensamentos dos mais variados tipos e origens me vieram a cabeça, inclusive o famoso: "A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena" (puts, fui profundo demais citando o Sr. Madruga), até a passagem bíblica onde Cristo nos exorta a amarmos o inimigo, pois isso sim é difícil. Não tenho tal pessoa como inimigo, apenas ocorreu algo no passado que deixou marcas negativas em mim. Agora, o passado ficou para trás, atendi a referida pessoa da mesma forma que atendo a todos no exercício do meu oficio e isso é o importante nessa situação, mesmo tentado, o profissional falou mais alto.O mais interessante aconteceu depois. Uma conhecida em comum procurou-me uns dois dias após o ocorrido e disse que queria conversar sobre o rapaz. Fiquei surpreso com a noticia trazida por ela, que consistia em me informar que o rapaz ao encontrar com ela estava transtornado, e que não se sentida bem com uma situação que acabara de passar, informando-a que havia se dirigido até o fórum e ao chegar lá para solicitar algo, se deparou com um antigo amigo que muito havia sacaneado no passado, mas que o atendeu sem maiores problemas, fazendo tudo prontamente. Ele ainda completou: "isso foi como um tapa na cara". Quero deixar aqui registrado que em nenhum momento o atendi prontamente pensando em "dar o troco", apenas cumpri com minha obrigação. Não estou aqui querendo ganhar o prêmio "nobel da paz", pois pra falar a verdade, a vontade foi de verdadeiramente foi de não atender o camarada, o que se deu apenas por simples força da obrigação trabalhista, mas que me fez refletir que tenho de cuidar melhor das minhas atitudes, o mundo dá voltas... e o bicho pode pegar...


Momento da Música...



Nos Bailes da Vida
Milton Nascimento
Composição: Fernando Brant / Milton Nascimento

Foi nos bailes da vida ou num bar
Em troca de pão
Que muita gente boa pôs o pé na profissão
De tocar um instrumento e de cantar
Não importando se quem pagou quis ouvir
Foi assim

Cantar era buscar o caminho
Que vai dar no sol
Tenho comigo as lembranças do que eu era
Para cantar nada era longe tudo tão bom
Até a estrada de terra na boléia de caminhão
Era assim

Com a roupa encharcada e a alma
Repleta de chão
Todo artista tem de ir aonde o povo está
Se for assim, assim será
Cantando me disfarço e não me canso
de viver nem de cantar

terça-feira, 4 de maio de 2010

Momento da poesia...


Desenhar o leve toque
A primeira gota de confiança
Desintegrada em mil cores
Perdendo toda esperança
Elucidada pela beleza das flores
Engano e mentira
Numa hora em quantidade desmedida
Perdendo o deitar, o sentar
Do descanso da consciência no pensar
Imaginando no próximo golpe dar
Esperar mais um minuto
Pelo culminar do Momento certo
Obter tudo num segundo
E fazer o monstro desperto
E o maior pesadelo descoberto
Sorriso eterno
Mas num belo final efêmero
Afinal quem engana
Enganado será
E Tudo alguma vez ganho perderá

Luana Velho

Frase do Dia...


A arte de agradar muitas vezes encobre a arte de enganar.
Frases Judaicas

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Momento da poesia...


Vida, linda de ser sentida
bela sinfonia
de cores e sabores
elos e de castelos
de sons mil a entoar
belas canções, belos sermões
bela vida, vida bela.

Que da doçura que é candura
e com muita formosura
enche tantos jardins
de laços e enlaces
de casos e acasos
de vida e mais vida
borboletas ai que sina.

E elas que vivem a voar
cheias de sonhos e desencontros
doçuras e aventuras
guloseimas e travessuras
dão exemplo do que é amar
e vivem sempre a voar
e voando vão vivendo
vivendo vão voando
e pronto.

Eduardo Ferreira Dias de Souza
29 de abril de 2010

Momento da Música...

Chão de Giz
Composição: Zé Ramalho


Eu desço dessa solidão
Espalho coisas sobre
Um Chão de Giz
Há meros devaneios tolos
A me torturar
Fotografias recortadas
Em jornais de folhas
Amiúde!
Eu vou te jogar
Num pano de guardar confetes
Eu vou te jogar
Num pano de guardar confetes...

Disparo balas de canhão
É inútil, pois existe
Um grão-vizir
Há tantas violetas velhas
Sem um colibri
Queria usar quem sabe
Uma camisa de força
Ou de vênus
Mas não vou gozar de nós
Apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom...

Agora pego
Um caminhão na lona
Vou a nocaute outra vez
Prá sempre fui acorrentado
No seu calcanhar
Meus vinte anos de "boy"
That's over, baby!
Freud explica...

Não vou me sujar
Fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes
Já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo
É assunto popular...

No mais estou indo embora!
No mais estou indo embora!
No mais estou indo embora!
No mais!...